Fim da escala 6x1 e transição para o modelo 5x2: Quais os impactos reais no setor de alimentação?
O debate nacional sobre o fim da escala de trabalho 6x1 e a adoção de modelos mais flexíveis, como a escala 5x2 (onde se trabalha cinco dias e folga-se dois) ou mesmo a escala 4x3, ganhou novos capítulos no setor de alimentação fora do lar. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) expressou fortes preocupações sobre a imposição compulsória desse modelo.
Impactos nos Custos Operacionais
Segundo análises da Abrasel, o setor é altamente intensivo em mão de obra. A obrigatoriedade de escalas como a 5x2 sem redução salarial correspondente ou incentivos fiscais elevaria a folha de pagamento das empresas em aproximadamente 20%.
Para compensar esse aumento drástico nas despesas e manter as operações de atendimento contínuo (sete dias por semana):
- Aumento de Preços: Estima-se que os preços nos cardápios para o consumidor final possam subir entre 7% e 10%.
- Redução de Horários: Pequenos restaurantes de bairro e estabelecimentos em áreas periféricas correm o risco de reduzir seus dias ou horários de funcionamento por falta de caixa para contratar novas equipes para cobrir as folgas extras.
A Escassez de Mão de Obra
Outro fator complicador é a escassez crônica de mão de obra qualificada no mercado de food service. Atualmente, o setor calcula mais de 500 mil vagas abertas em todo o país. Com a escala de trabalho 5x2 exigindo mais contratações para cobrir o mesmo volume de horas de funcionamento, a disputa por profissionais deve se intensificar, prejudicando negócios menores que não conseguem competir com grandes redes na oferta de benefícios adicionais.
Recomendação de Gestão: Restaurantes precisam revisar o planejamento operacional imediatamente. Utilizar ferramentas automatizadas para elaborar escalas inteligentes de revezamento e controlar rigorosamente o Custo de Mercadorias Vendidas (CMV) é indispensável para criar margem de manobra financeira frente às possíveis alterações de jornada.